EDUCAÇÃO E ARTE: SONHAR, CONSTRUIR, REALIZAR.

Sobre o ABA

Projeto premiado com a XI edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã do Instituto Arte na Escola/ Fundação IOCHPE como a melhor iniciativa em artes do ensino médio em 2010.
O Auto da Barca Amazônica é uma iniciativa em ensino de artes para alunos de escolas públicas.O espetáculo foi criado em 2007 pelos professores Jaqueline Cristina Sosi , artista da cena e Paulo Anete, carnavalesco.A iniciativa tem por objetivos trabalhar a linguagem cênica (teatro, dança circo e cenografia) que resulta na produção de um grande cortejo que sai pelas ruas da cidade de Abaetetuba,localizada na região do baixo Tocantins, estado do Pará
Fiquem à vontade e divulguem nosso trabalho.

Palavras chave:
educação; arte; cortejo;carnaval;circo;teatro;dança

domingo, 2 de outubro de 2011

O Espelho no Espelho - Michael Ende






CHOVIA INTERMINAVELMENTE NA SALA DE AULA. Fedia a pântano, pois as tábuas do
assoalho se haviam decomposto em turfa devido à eterna umidade, as paredes estavam cheias de bolor e em
muitos lugares cresciam enormes teias de salitre nevado. Os vidros das três janelas altas e estreitas eram
compostos de material fosco para que os alunos não tivessem sua atenção desviada pela possibilidade de olhar para fora.
A porta do corredor da escola havia sido pintada várias e várias vezes, e tinha a cor de um espinafre
velho e choco. Podia-se ler ainda, no quadro-negro, do lado frontal do aposento, os restos de uma fórmula
qualquer: ... é um ponto no vácuo... vai ao tempo t na velocidade da luz... d... dt...
Na alta cátedra, negra como breu, diante da parede do quadro, jazia como que em câmara ardente o
corpo inerte de um rapaz de provavelmente uns quatorze anos. Ele estava vestido com a malha justa de um
equilibrista, coberta aqui e ali com remendos. A fita branca que trazia na cabeça mostrava na testa uma
mancha vermelha redonda. Evidentemente que se tratava de um sinal, pois era bem regular, coisa que não
poderia ter ocorrido com perda de sangue.
Nos bancos escolares estavam sentados apenas seis alunos – dois homens, duas mulheres e duas
crianças – cada qual afastado do outro, cada um por si. Todos estavam debaixo de seus guarda-chuvas,
escrevendo ou com olhar perdido à sua frente. Bem na frente estava sentado debaixo de um guarda-chuva
negro um homem de idade indefinível, vestido de maneira correta. Seu rosto parecia pálido sob o chapéu preto
e engomado e, com exceção dos olhos um pouco esbugalhados e aquosos, ele não apresentava traços
característicos. À sua frente, no púlpito, havia uma pasta. Próximo da porta estava sentado um homem
barbudo, de óculos, vestido com um guarda-pó branco. Ele segurava um guarda-chuva de material plástico
transparente e, de tempos em tempos, voltava a olhar para seu relógio de pulso. No lado da janela, uma
mulher muito gorda aboletara-se no banco pequeno demais para seu corpo, de tal modo que seus enormes
seios estavam caídos sobre o púlpito. Seu guarda-chuva era florido. Algumas fileiras atrás dela, estava sentada
uma jovem senhora de pernas longas, delgada, com um vestido de noiva, debaixo de um guarda-chuva branco
com bordas rendadas. Bem atrás, na última fileira, estavam sentadas a duas crianças. Uma delas, uma
menininha, tinha um guarda-chuva de papel oleoso. Seus cabelos eram longos e negro-azulados, e os olhos
eram amendoados e escuros como a noite. O garoto, do outro lado, parecia bem desleixado. Ele era pequeno e
tinha as faces estreitas e bem sujas. Suas roupas estavam rasgadas e seu nariz escorria a todo o momento, ele o
enxugava na manga da camisa. Nas costas ele trazia asas muito grandes e brancas, que estavam úmidas de
chuva, desgrenhadas e bem caídas. Seu guarda-chuva era composto apenas de uma armação vazia, na qual
pendiam alguns farrapos de coloração azul clara.
Todos estavam calados, pois era terminantemente proibido bater papo. Somente a chuva caía
ininterruptamente. Finalmente, o homem de guarda-pó branco, após mais uma olhada em seu relógio,
inclinou-se na direção do sujeito vestido cor-retamente e perguntou aos sussurros:
– Desculpe-me, por favor, mas será que o senhor sabe quando é que chega o professor?
A pessoa a quem ele se dirigiu levou o dedo à boca. Depois balançou a cabeça e, após alguns instantes,
segredou:
– Nunca se sabe quando ele vem ou se ele porventura vem. Mas a droga é que ninguém está aqui
quando ele vem.
O homem de guarda-pó branco balançou a cabeça suspirando.
– Foi o que imaginei. Posso perguntar por que o senhor está aqui?
O outro fez-lhe um sinal e olhou à sua volta na sala. Mais uma vez ele deixou passar alguns minutos
antes de responder:
– Quero completar meus conhecimentos de matemática. A propósito, sou funcionário público.
– Ah – Disse o homem barbudo de guarda-pó branco. Mas qualquer um notava que essa informação não
o deixara satisfeito.
Ele ficou olhando para seu relógio durante um bom tempo. Em seguida, escreveu alguma coisa em um
pedaço de papel e estendeu-o para seu companheiro de conversa.
Quer dizer que o senhor está aqui voluntariamente?, foi o que este leu. Ele virou o papel e escreveu nas
costas: Sua pergunta não vem ao caso. Estou cumprindo minha obrigação.
Quando o homem de guarda-pó branco leu a mensagem, disse em voz semi-alta e com tom de voz
rebelde.
– Aliás, eu não estou aqui de livre e espontânea vontade. Sou médico, mas me cassaram a licença por
causa de uma estúpida ninharia. E agora eu preciso começar do começo. Acho isso terrível.
– Tudo começa de novo do princípio – respondeu friamente o homem vestido de maneira correta. – A
vida é uma repetição. Com que direito o senhor quer ser a única exceção?
– Não conversem tão alto – gritou a noiva à meia voz para os dois. – Podem ouvir vocês, aí todos nós
teríamos de ficar de castigo depois da aula.
– Se vocês me perguntarem – a gorda intrometeu-se na conversa – eu acho que a gente simplesmente
devia ir para casa. Estou com fome.
O funcionário se virou na direção dela e a examinou com seu longo e vazio olhar.
– Não é possível – disse ele friamente –, a porta está fechada.
Seguiu-se novamente um longo silêncio. Somente a chuva caía continuamente.
– Eu gostaria de saber – murmurou para frente o garoto com as asas úmidas de chuva – que tipo de
tempo está fazendo lá fora. Talvez já sejam férias lá fora.
A menininha com olhos amendoados sorriu para ele e sussurrou por trás das mãos levantadas:
– Lá fora é o paraíso, mas não podemos abrir as janelas.
– O que é lá fora?
– O pa-ra-í-so
– Não conheço. Que negócio é esse?
– Você não conhece?
– Não, nunca ouvi falar.
A menina deu uma gargalhada.
– Não acredito nisso. Então você não é nenhum anjo?
– Puxa, que coisa é essa? – perguntou o garoto.
A menina de olhos amendoados ficou olhando para frente durante algum tempo e depois sussurrou:
– Olha, na verdade eu também não sei o que é o paraíso.
– Então por que é que você fala nisso? – disse o garoto.
– Mas eu sei que ele está sempre ao lado – prosseguiu a menina. – Todo mundo sabe disso. Só existe
uma parede no meio, muitas vezes de pedra, às vezes de vidro e também tem de papel-seda. Mas está sempre
do lado.
– Então a gente não podia simplesmente quebrar o vidro? – propôs o garoto, corando com a própria
audácia. – Isso é, se é que vale mesmo a pena.
A menina encarou-o com um ar triste e sussurrou:
– De nada adiantaria. Ele está sempre do lado, portanto nunca está onde nos encontramos. Se
estivéssemos do outro lado, ele já não estaria mais lá. Mas agora ele está lá. Com toda certeza.
– Fiquem quietos! – gritou a noiva com voz reprimida. – Acho que alguém está vindo.
Todos ficaram escutando, mas só se podia ouvir a chuva.
O médico levantou-se e foi à cátedra, na qual jazia o rapaz com roupa de equilibrista como se estivesse
em um catafalco. Ele precisou subir na cadeira atrás da cátedra para poder observá-lo.
– Não seria melhor se o senhor fizesse seu dever? – perguntou o funcionário público levantando a
sobrancelha. – Talvez este seja meu dever – respondeu nervoso o médico.
Durante algum tempo ele ficou examinando o rapaz, calado, experimentou-lhe o pulso, abriu
cuidadosamente com o polegar e o indicador um dos olhos. Apalpou aqui e ali e finalmente balançou a cabeça
desanimado. Desceu e foi se sentar em seu lugar.
A velha gorda, que prestara atenção nele com crescente curiosidade, gritou nesse momento tão alto, que
todos estremeceram chocados:
– A doença! Diga pelo menos de que ele morreu!
– De chuva! – respondeu o médico de modo brusco.
– Talvez – sussurrou a menina de olhos amendoados para o rapaz com as asas encharcadas –, talvez o
paraíso seja onde nunca chove.
– Ou pelo menos onde não chova sempre – disse o rapaz mais para si mesmo. – Onde só chova de vez
em quando.
– Agora você se lembra? – segredou a menina.
Mas o garoto não respondeu, a única coisa que fez foi ficar olhando pensativamente para frente.
A menina se levantou e, com passos tímidos, caminhou até a cátedra. Ela escalou a cadeira. Dali, foi até
o rapaz com roupa de equilibrista. Agachou-se ao seu lado, tomou-lhe a cabeça no colo e segurou o guardachuva
de papel sobre ele. Todos ficaram olhando com admiração.
– Mas, e se o professor aparece... – gritou medrosa a noiva.
– Talvez ele seja o professor – disse o jovem com asas, levantando-se. Todos se viraram na direção dele.
– Podia ser – murmurou ele, ficando vermelho de novo. Ele foi até a frente com as asas arrastadas,
galgou a cátedra com decisão e ficou segurando a armação de seu guarda-chuva em cima do corpo esticado do
garoto.
– Besteira! – disse o funcionário com desdém.
– Não é coisa nenhuma! – respondeu teimosamente o jovem. – Ele já começa a respirar.
O médico se levantou, tornou a galgar a cadeira e colocou a mão no peito do rapaz, curvando-se sobre
sua boca para escutar.
– Dois não bastam – gritou então – tragam mais guarda-chuvas!
Todos foram à frente e esticaram protetoramente os guarda-chuvas sobre o rapaz. A menina de olhos
amendoados inclinara-se sobre sua cabeça e, com cuidado, retirou-lhe a fita com a mancha vermelha circular.
Seus longos cabelos negros envolveram os dois rostos.
De repente, o garoto com roupa de equilibrista respirou fundo, tossiu algumas vezes e se sentou.
– Obrigado – disse ele olhando para os rostos que se aglomeravam à sua volta. – A coisa, dessa vez, foi
longe. Que estão fazendo aqui?
– Estamos esperando o professor – respondeu a noiva.
– Por acaso não é você? – perguntou o rapaz de asas.
– Ora, escutem uma coisa – disse o rapaz –, será que eu pareço um professor?
– Nós não sabemos como é a aparência dele – explicou o médico.
– Por favor, não fale em nome de todos nós! – O funcionário público o pôs em seu devido lugar. – Estou
aqui há muito mais tempo do que o senhor.
O rapaz com roupa de equilibrista soprou algumas gotas da ponta de seu nariz e sorriu.
– Bem, a verdade é que ele ainda não chegou aqui. Nós devíamos tentar sair daqui. Ou será que vocês
estão gostando?
– Não se trata disso – replicou o funcionário –, também existe uma coisa chamada senso de
responsabilidade. Ninguém tem o direito de fugir da realidade, muito menos quando esta é desagradável.
O rapaz com roupa de equilibrista ficou balançando as pernas na cátedra.
– Vocês já notaram – perguntou ele suavemente – que basta fechar os olhos por alguns minutos?
Quando a pessoa os abre de novo, se encontra numa outra realidade. Tudo muda continuamente.
– Quando a gente fecha os olhos – disse o garoto com as asas encharcadas – a gente morre.
– Está bem – disse o rapaz de cima da cátedra – dá no mesmo. Nós também mudamos, já que não há
nenhum inconveniente. Eu era um outro e, de repente, sou esse daqui.
A mulher gorda assentiu.
– Justamente, meu jovem. E que foi que você lucrou com isso?
– Nada – respondeu o rapaz –, por que é que a pessoa teria de lucrar alguma coisa?
– De qualquer modo – esclareceu o funcionário – eu vou continuar aqui e informarei ao professor tudo
que aconteceu aqui, palavra por palavra.
– Como quiser – disse o rapaz saltando da cátedra –, eu só estou aqui de passagem.
– Mas não se pode sair daqui – disse a noiva. – A porta está fechada.
– Pode-se sair de qualquer lugar – replicou o rapaz –, quando se consegue mudar o sonho.
– Como é que isso funciona? – perguntou a menina de olhos amendoados. E o rapaz de asas
acrescentou:
– O que significa mudar o sonho?
– Tudo isso é besteira! – gritou o funcionário.
– Mudar o sonho – disse o rapaz com roupa de equilibrista – significa inventar uma nova história e
depois entrar dentro dela. Afinal de contas, o que é que vocês aprendem aqui nessa escola, se nem ao menos
sabem disso?
– Onde foi que você aprendeu isso? – a mulher gorda quis saber.
– Com um mudador de sonhos que eu mesmo inventei – respondeu o rapaz.
– E você consegue mesmo mudar sonhos? – perguntou a menina ofegante. – E você pode ensinar isso
para nós? – Claro! – replicou o rapaz. – Aliás, sozinho é a maneira mais difícil. De dois fica bem mais fácil. E
quando muitas pessoas fazem a coisa juntas, então aí sempre se consegue. Todos os verdadeiros mudadores de
sonho sabem disso.
– Então como é que a gente deve fazer para inventar uma nova história? – procurou se informar a noiva.
– A maneira mais fácil – explicou o rapaz – seria se todos nós representássemos uma peça de teatro.
– Ai, meu Deus do céu – lamentou-se a mulher gorda –, eu não consigo decorar muito texto.
– Para quem devemos representar? – perguntou o médico.
– Para nós mesmos. Nós somos platéia e atores ao mesmo tempo. E o que vamos representar é a
realidade.
– Mas o que devemos representar? – quis saber o garoto com asas.
– A gente nunca sabe antecipadamente – respondeu o rapaz. – A gente simplesmente começa.
– Mas isso pode ser um tremendo fracasso – opinou a noiva. – E depois, que será de nós!
O rapaz deu de ombros.
– Aquele que já quiser saber com antecipação é porque não sabe mudar sonhos.
– Mas será que a gente não precisaria de um palco? – perguntou a menina com olhos amendoados. – E
uma cortina?
– Incondicionalmente! – disse o rapaz com roupa de equilibrista. Ele pegou sua fita de cabeça empapada
de chuva e, enquanto a menina o protegia com o guarda-chuva de papel, foi ao quadro-negro e com o lenço
limpou cuidadosamente os últimos vestígios da fórmula. Em seguida, virou-se para os outros.
– Vocês poderiam secá-lo?
– Não vai adiantar muito – opinou o médico –, daqui a pouco a chuva vai encharcá-lo de novo.
– Bastam alguns minutos – explicou o rapaz. Ele abriu a gaveta da cátedra e encontrou ali dentro alguns
pedacinhos de giz colorido. Nesse meio tempo, os outros haviam secado – até onde fora possível – o quadronegro
com seus lenços de bolso ou mangas de paletó. O médico chegara a tirar o guarda-pó branco para
utilizá-la como esfregão.
– Já basta – disse o rapaz. Em seguida, com uns poucos traços, ele pintou um palco de teatro sobre o
quadro-negro, a cortina estava puxada para cima à esquerda e à direita, e o cenário atrás mostrava um longo
corredor cheio de portas.
– A gente precisa deixar todas as possibilidades em aberto – disse o rapaz, enquanto fazia os últimos
traços –, atrás de uma dessas portas nós vamos encontrar alguma coisa que nos agrade.
E, com um salto, ele pulou para dentro do quadro que acabara de pintar. Os outros ficaram olhando
arrebatados, enquanto ele ficava passeando de um lado para o outro no palco.
– Venham! – gritou ele. – Rápido! A chuva!
Primeiro, subiu no palco o menino com asas, em seguida foi a vez da menina de olhos amendoados.
Depois dela veio a noiva. A mulher gorda precisou ser empurrada por trás pelo médico e puxada pela frente
por aqueles que já lá estavam. Em seguida, o próprio médico pulou. Somente o homem corretamente trajado
continuou ali embaixo, com seu guarda-chuva preto, sem conseguir tomar uma decisão.
O rapaz com roupa de equilibrista inclinou-se mais uma vez para fora do quadro e estendeu-lhe a mão.
– O senhor não está querendo vir junto? – perguntou ele.
O homem balançou a cabeça.
– Acho que não acredito nisso.
– O senhor não precisa acreditar. Entre simplesmente.
– Mas... – o funcionário público deu um passo atrás – não sei o que vocês pensariam de mim. Não me
encaixo na peça de vocês.
– Nós não pensamos nada do senhor – respondeu o rapaz –, mas todo mundo se encaixa na nossa peça.
Sobre o quadro já corriam por toda parte algumas gotas de chuva, tornando-o indistinto.
– Eu preferiria não ir – disse o homem.
– Que pena – gritou o rapaz, em seguida ele se inclinou como um artista de circo. – Passe bem!
A cortina foi baixando pouco a pouco nos dois lados. Então, no último instante, o homem tomou
coragem, dobrou o guarda-chuva, enfiou a pasta debaixo do sovaco, segurou o chapéu e saltou por entre a
abertura da cortina, que se fechou por trás dele.
Pouco a pouco a chuva contínua foi apagando a imagem do quadro-negro.

Tempo de Refletir

`´É hora de parar, calar, meditar e refletir sobre nossas ações daqui pra frente. O momento não está favorável para nós, porém temos algo que ninguém nunca poderá nos tirar: esperança.
 Vamos levantar a cabeça e procurar soluções. Não deixemos que a política do descaso contamine nossas mentes e corações.Estamos juntos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sobre o meu Repúdio...

   Tenho tentado manter a minha integridade e luto para que Abaetetuba possa mudar significativamente a sua triste realidade, faço a minha parte, embora essa pequena parte incomode muita gente.Apesar de todo o esforço, as pessoas que insistem em me atacar de modo covarde, são as mesmas que nunca fizeram nada pela localidade.

    Talvez eu tenha fracassado vendo nos olhos tristes do garotos o espelho da minha dor. Não é a primeira derrota, nem será a última.Parafraseando Felício Pontes e Darcy Ribeiro digo que: 
  "Fracassei em quase tudo que fiz. Tentei defender os meninos dos rios, e minha partida me mostra que não consegui. Tentei defender as tradições e as histórias contadas e a arbitrariedade mostra que não consegui. Tentei reviver a cultura de um povo, e a burocracia, a intolerância, a falta de vontade política insistem em mostrar que fracassei. Mas meus fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".
É com muita dor e com lágrimas nos olhos que posto isso no dia de hoje.

Evoé ao Auto da Barca Amazônica.
                                                                                                    Jaqueline Souza

sábado, 24 de setembro de 2011

Em Homenagem Oração ao Tempo




     Em homenagem aos amigos que lutam para mostrar que a vontade comum move montanhas.
Especialmente para Paulo Anete. Murilo Nascimento, Jones Gomes,Lúcio Lavareda, Kaio Cardoso , Karina Cardoso, João Vitor. Alberto Valter, Nazinha Ferreira, Angela Gomes, Miguel Caripuna, Miguelina Bitencourt, Giovane e todos que contribuem para a construção de uma sociedade de concretização de sonhos.
     Sou muito grata a todos!

Jaqueline Souza

Sobre a Criminalidade entre os Jovens

   A diminuição da idade penal é uma coisa bastante polêmica,(eu preferia que não existisse criminalidade entre as crianças) porém isso acabou gerando na população uma sensação de impunidade.Ontem à noite, dois garotos perto de minha casa, de aproximadamente quinze anos, brigaram por causa de um celular e um deles foi esfaqueado.Um garoto foi bem mal para o hospital e o outro  que cometeu a violência fugiu e depois voltou por lá como se nada tivesse acontecido.
   A banalidade do motivo ao qual levou a tamanha violência, infelizmente tem se tornado rotina.Durantes todos os dias vemos nos jornais casos de crimes q são cometidos por crianças.O último caso de que o país tem conhecimento é o do estudante de dez anos de uma escola paulista q atirou na professora e depois se matou.
    Vivemos numa incerteza de futuro, num país onde as leis não funcionam, onde políticos que deveriam estar cuidando do futuro da nação, são os primeiros bandidos.A educação que deveria ser tida como prioridade está cada dia mais sucateada.
  O que fazer então? Construir mais cadeias?Diminuir a idade penal? Aderir à pena de morte?
  Infelizmente, sabemos que enquanto não houver uma reforma política séria, as leis criadas não atingem os maiores culpados.As leis existentes hoje, simplesmente servem para penalizar a grande massa populacional que passa fome todos os dias, que é punida por roubar um kilo de feijão para alimentar a família.
 Não estou fazendo uma apologia ao crime, e nem sou adepta do método Robin Hood, mas gostaria que reformas fossem feitas para que todos tenham as mesmas oportunidades,para que as leis de fato funcionem para aqueles que não a respeitam.
  Talvez se esses dois meninos tivessem uma educação de qualidade, se os pais deles tivessem condições de lhes dar uma vida digna, isso não tivesse acontecido.
  Fui instrutora em uma oficina de artes de um deles, exatamente daquele que deu a facada no outro e o conheci quando era mais criança, seus sonhos, seus desejos simples de ter uma casa, de ter uma vida digna como de qualquer pessoa. Lamento muito por esse incidente, lamento por ele, pelo outro garoto, lamento  pelos pais deles, por mim, lamento por todos nós.
   A quem eu devo culpar?
   Será a punição uma solução?
  Acredito que a maior solução para a onda de violências geradas nessa sociedade é o entendimento do povo sobre o assuntos políticos.A falta de senso crítico da população brasileira e a  aceitação da corrupção como meio cultural, a aceitação da criminalidade como prática comum tem gerado em nossos jovens a sensação de que tudo podem fazer pois ¨não pega nada¨, jovens estes que deveriam ser o futuro do país.Que futuro é este que teremos?
 E preciso reação, é preciso cobrar dos governantes o cumprimento de leis, o repasse correto para os estados investirem em melhorias para a população, principalmente os mais carentes, é preciso acabar com essa política assistencialista de migalhas, acabar com a imunidade parlamentar e com tantas outras mazelas que trazem como consequência essa guerra civil que se instalou por todas as regiões.
  O que é prioridade para nós hoje? Partidas de futebol?
Culpemos a todos nós por esse incidente.O nosso descaso está levando o nosso futuro para o ralo.



Jaqueline Souza


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Lado Social





    Numa roda de conversas, Murilo Nascimento relatou uma experiência dele com alunos da 8ª série sobre alguns questionamentos sobre o espetáculo Auto da Barca Amazônica.Veja:

Murilo: ¨Joguei uma questão prática para um aluno para que ele refletisse. Perguntei: Uma certa noite, você está morrendo de sede e quer comprar um refrigerante no comércio da esquina.Você sai de casa e logo adiante avista dois jovens parados na rua agindo de modo suspeito.Você sairia de casa nesta situação? E o jovem respondeu: Não! Não sairia.
Na mesma situação, perguntei: e se você saísse de casa e avistasse cerca de mil jovens na rua, você ainda sairia? E ele respondeu: Sairia e me juntaria a eles porque é o Auto da Barca Amazônica.¨
   Que situação é essa que faz com que você tenha medo de dois jovens parados na esquina e não tenha medo de mil jovens caminhando pelas ruas da cidade? Que magia é essa que faz com que jovens de toda a cidade de Abaetetuba se unam em confraternização em prol de um objetivo?
   Durante quatro anos em que o espetáculo foi realizado não ouvimos falar em nenhum caso de violência durante o evento.Pessoas de cidades e comunidades vizinhas veêm prestigiar com seus aplausos.Nas janelas das casas por onde o ABA passa,ficam as estórias contadas de avós para netos sobre os seres mitológicos que pairavam acenando docemente para as crianças, é a tradição da oralidade renascida.
   Economicamente falando, o ABA tem uma importância para as pessoas que contribuem com seu trabalho:  A dona da malharia,ss costureiras, os coreógrafos, o pipoqueiro, o vendedor de picolés enfim, trabalhadores que contribuem conosco de forma direta ou indireta e que tem uma importância fundamental para o sucesso do trabalho.Fazendo os cálculos em números, vamos supor que a dona da malharia ganhou cerca de três mil reais com a venda de camisetas.Ela pode contratar mais um funcionário.O funcionário que foi contratado estava há 3 anos desempregado, com o salário ele pode manter a mulher e os filhos.
  A costureira (geralmente as costureiras são mulheres simples da comunidade) recebeu uma encomenda de 150 figurinos e ganhou cerca de mil reais.Com esse dinheiro ela pode comprar um remédio para o filho que estava doente.

  O coreógrafo com o dinheiro do cachê pôde fazer um curso de aperfeiçoamento em Belém.
  O vendedor de pipoca e picolé vendeu cerca de 50 pipocas e mais 70 picolés e ganhou uma média de duzentos reais naquela noite.No dia seguinte ele pode comprar café e pão para a família.
 Essas histórias não aparecem nos holofotes do ABA, talvez existam outras que nós nunca iremos saber, mas as histórias dessas pessoas simples, humildes tem uma importância, um valor inestimável, imaterial para quem realiza o projeto todos os anos, tanto é que fazemos questão de produzir tudo dentro da cidade com as pessoas que fazem parte dela.

    Então eu pergunto: Como se muda uma realidade? Talvez a resposta esteja em um grupo de jovens que se reunem todos os anos e se confraternizam dando as mãos em corrente,protejendo com todas as energias possíveis o seu objetivo comum., o ABA, mesmo que inconscientemente tem o papel de tornar melhores as pessoas que o constroem.

   Abaetetuba na linguagem indígena significa terra de homens valentes e ilustres. Curiosamente  nossa sigla é a mesma do prefixo da cidade.Aba significa ilustre.Acabamos nos tornando pessoas assim: meninos e meninas/ homens e mulheres valentes, guerreiros desta terra tão sofrida e tão ilustre.
                                                                                                                        Jaqueline Souza.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Alguns esboços -Planejamento para as construções

                           Cabeçudos e Matinta/2010
                            Murilo Nascimento

sábado, 2 de julho de 2011

Pará Eu Te Quero Grande!


Queremos o Pará Unido!


Pimenta no Tacacá dos Outros é Refresco! Por Idaélcio Lopes


Pimenta no tacacá dos outros é refresco!

Este vídeo da Maria Bethânia foi feito pelo publicitário Duda Mendonça, ou seja, pimenta no tacacá dos outros é refresco!
A terra dele (ele é baiano) não poderia ser dividida, mas a nossa pode....claro, imaginem os milhões que ele como marqueteiro vai faturar nas eleições dos futuros governadores e prefeitos, além dos benefícios que com certeza receberá desses mesmos políticos para fazenda que ele possui no sul do Pará.



Duda Mendonça fará marketing separatista no Pará

Por: Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo
26 de junho de 2011

O pequeno aeroporto de Redenção, no sudeste do Pará, teve um movimento atípico no dia 9 de junho. Fazendeiros, comerciantes e empresários do setor imobiliário pousaram em jatinhos e helicópteros para se reunir na cidade com o marqueteiro Duda Mendonça. Na pauta do encontro, a conquista de corações e mentes para a causa da criação do Estado de Carajás.

Paulo Carrion / CT Online

Proprietário de terras e criador de gado na região, Duda é um entusiasta do desmembramento do Pará em três, com a criação de Carajás, no sudeste, e de Tapajós, no oeste. Em dezembro, haverá um plebiscito sobre o assunto, e o marqueteiro vai comandar a propaganda que os dois comitês separatistas farão em rede estadual de rádio e televisão nos 40 dias anteriores à consulta popular.



Duda dará o tom até da campanha no lado contrário à divisão. É que os defensores da manutenção das atuais fronteiras do Pará falam abertamente em imitar peças publicitárias que ele elaborou, nos anos 80, contra a divisão da Bahia - então uma bandeira levantada por grupos do oeste do Estado.

Na época, as emissoras baianas exibiram um vídeo em que a cantora Maria Bethânia dizia que dividir a Bahia seria como “separar irmão de irmão”. “É como separar a corda do pau, calar para sempre o berimbau. É como separar Castro de Alves, Rui de Barbosa, Dorival de Caymmi, Caetano de Veloso.”

Inspiração. “Vamos mostrar que não se pode separar o tacacá do pato ao tucupi, o Rio Amazonas do Rio Tocantins”, revelou Zenaldo Coutinho, secretário da Casa Civil do governo paraense e um dos articuladores do movimento pelo “não” no plebiscito.

Os antisseparatistas também buscam se cercar de argumentos econômicos, como contraponto ao tom emotivo que costuma marcar as campanhas de Duda. “Queremos levar o debate para o campo da razão”, disse Coutinho, para quem os adversários se mostram “ora apaixonados, ora oportunistas”.

O secretário, que é deputado federal licenciado pelo PSDB, faz uma distinção entre os grupos do oeste e do sudeste. “Em Tapajós existe uma consciência emancipacionista que remonta há muitos anos. A defesa de Carajás é feita sobretudo pelo grande capital local e se vincula a um processo recente de ocupação territorial.”
Fonte: http://memoriasdeumbebadoconsciente.blogspot.com/2011/07/pimenta-no-tacaca-dos-outros-e-refresco

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conheça-nos e Apoie Nosso Trabalho.







Se quiser nos apoiar sendo um voluntário ou mesmo doações de equipamentos,materiais, figurinos, ou apenas se quiser nos conhecer, entre em contato.
Jaqueline Souza
Contatos: (91) 8812-9753/91 8135-3753

Twitter: @anima_itinerant




Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem 'Por quê?' Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo 'Por que não ?'
George Bernard Shaw

sexta-feira, 3 de junho de 2011

'Arte torna os humanos mais humanos''


Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA - Evelyn Ioschpe, presidente do Instituto Arte na Escola
Para a pesquisadora Evelyn Ioschpe, o ensino de artes no Brasil, apesar de ter potencial de melhorar o desempenho geral dos alunos, ainda enfrenta alguns entraves. Leia a seguir a entrevista.
Ter aulas de artes na escola ajuda o aluno nas outras disciplinas?
Por legislação, o ensino de artes é obrigatório no Brasil. Mas ainda temos pouquíssimas pesquisas sobre esse assunto (o impacto no desempenho) aqui. O que conhecemos se refere às pesquisas feitas nos Estados Unidos, que já diagnosticaram que as aulas de artes previnem evasão e fixam o aluno na escola. E isso é muito importante, porque a evasão escolar custa bilhões por ano aos sistemas educacionais de diversas partes do mundo.
Por que estudar artes pode impactar no desempenho global do estudante?
Porque as artes ajudam na organização do texto, no repertório de outros conteúdos, no raciocínio espacial, na capacidade de compreender assuntos diversos, nas habilidades de leitura e matemática, nos valores de cidadania. E também dá, ao aluno, mais comprometimento, produtividade, autoconfiança e vontade de assumir riscos. O aluno passa a compreender melhor os diferentes conceitos que existem nas mais diversas disciplinas e conteúdos que ele teve, tem e terá em sala de aula. Dessa forma, o ensino de artes pode até aumentar o interesse e o gosto pelos estudos.
Em que sentido as artes trazem lições de cidadania à escola?
A arte consegue trabalhar com a criatividade e a sensibilidade das crianças, despertando isso nelas. Costumo repetir uma frase que resume bem toda essa ideia: a arte torna os humanos mais humanos.
Como você analisa a atual situação do ensino de artes no Brasil? Quais são os principais obstáculos? 
Os últimos dados sobre educação mostram que as áreas onde mais faltam professores são nas disciplinas de física e artes. É uma questão urgente. As políticas públicas precisam contemplar isso. Precisamos formar mais e melhor esses professores que saem para enfrentar as salas de aula todos os anos. Eles chegam com dificuldades para lidar com os alunos e despreparados para entrar em sala.
QUEM É
Evelyn Berg Ioschpe é socióloga, jornalista e presidente do Instituto Arte na Escola.
Envolveu-se com pesquisas e projetos voltados para educação e terceiro setor. Foi presidente do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). 
Acesse o link:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110530/not_imp725585,0.php

Estudar artes eleva as notas em geral


Conclusão é de relatório da Fundação Iochpe, que viu melhora na escola pública

30 de maio de 2011 | 0h 00
Por: Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
Ter contato com artes plásticas, dança, música e cinema na escola pode melhorar o desempenho geral nos estudos. É o que mostra o último relatório de avaliação do Projeto Arte na Escola, da Fundação Iochpe, que apoia programas educacionais.
Para chegar ao resultado, foram analisados os resultados da Prova Brasil 2007 referentes ao desempenho dos alunos da 8.ª série nas provas de língua portuguesa e matemática das escolas públicas nas quais o ensino de artes é realizado pelos professores do Projeto Arte na Escola. Os alunos que frequentam essas escolas apresentaram melhor desempenho que aqueles que cursam escolas fora do projeto.
Segundo os dados do estudo, finalizado neste ano, o aumento na nota de língua portuguesa é, em média, de 2,7 pontos. Em matemática, o acréscimo chega a 7,1 pontos. Participaram do relatório 150 escolas.
Para Evelyn Ioschpe, presidente do Instituto Arte na Escola - um dos programas da Fundação Iochpe -, o ensino das artes no currículo escolar é essencial para dar ao aluno um entendimento mais amplo das outras disciplinas. "Há poucas pesquisas nesse estilo no Brasil. Conhecemos mais os estudos dos Estados Unidos, que já mostram que as aulas de artes previnem a evasão e fixam o aluno na escola", explica (mais informações nesta página).
A ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e membro do Conselho Curador da Fundação Iochpe, Maria Helena Guimarães, afirma que o aluno que tem contato com artes desenvolve memória e conhecimento lógico e amplia seu repertório. "Ele adquire habilidades fundamentais para ter um bom desempenho nas outras disciplinas."
Valores. Para os educadores, a arte pode ser explorada em diversas dimensões dentro dos outros conteúdos dados na escola. Uma análise da trajetória do artista espanhol Pablo Picasso, por exemplo, pode aparecer nas aulas de história para tratar da Guerra Civil Espanhola a partir de seu famoso quadro Guernica.
Mas, além de elevar o conhecimento escolar dos estudantes, o ensino de arte impacta na formação cultural e humana da criança e do adolescente, formando um cidadão mais responsável e sensível. Para a professora da rede pública Jaqueline Cristina Souza da Silva, de 32 anos, de Belém (PA), a arte também serve para incentivar jovens de regiões carentes. "Há comunidades com potencial onde, por falta de estímulo, a cultura local acaba morrendo." Ela foi uma das vencedoras do Prêmio Arte na Escola Cidadã 2010.
Julmara Sefstrom, de 34 anos, que também já venceu o prêmio e leciona em escolas municipais de Içara e Criciúma (SC), concorda. "Toda criança tem direito à cultura e à arte, mas muitas com as quais convivo diariamente só tem este acesso por meio das aulas", afirma.
Os materiais usados devem explorar, segundo os educadores, todos os sentidos dos alunos. "A exploração de diferentes ferramentas desenvolve todo o processo de percepção da criança", diz a professora do Colégio Santa Maria Luciana Proença, de 31 anos, que lida com crianças de 3. "Tintas coloridas, papéis, folhas secas e até legumes podem servir", explica.
Vera Lúcia Iamburus, de 49 anos, professora de artes do Colégio Santo Américo, diz que os estudantes devem abolir a ideia de que não vão usar o conteúdo aprendido nas aulas de artes na futura vida profissional. "Um diretor de empresa deve ser criativo e sensível para o mundo. E as artes ensinam a buscar novas perspectivas, visões e possibilidades", esclarece.
O gosto pelas artes na educação básica pode se transformar em uma opção de carreira. "Nosso professor de música é ex-aluno da escola", conta a vice-diretora do Colégio Renovação, Claudia Baratella. "A aula pode despertar esse gosto nos alunos: eles podem ver que a vida pode ser mais colorida."
Janaina Peresan, de 36 anos, professora da escola Espaço Aberto, acha que as aulas devem levar a criança para um universo além da mídia de massa. "Não tenho nada contra, mas meu objetivo é levar a eles o lado lúdico da música popular e da arte circense, por exemplo", diz.

sábado, 14 de maio de 2011

Quem quer ser professor?


Reportagem extraída da revista Carta na Escola


Baixos salários, desvalorização e falta de plano de carreira afastam as novas gerações da profissão docente. Mas há quem não desista. Por Tory Oliveira. Foto: Masao Goto Filho
Você é louca!” “É tão inteligente, sempre gostou de estudar, por que desperdiçar tudo com essa carreira?” Ligia Reis (foto a dir.), de 23 anos, ouviu essas e outras exclamações quando decidiu prestar vestibular para Letras, alimentada pela ideia de se tornar professora na Educação Básica. Nas conversas com colegas mais velhos de estágio, no curso de História, Isaías de Carvalho, de 29 anos, também era recebido com comentários jocosos. “Vai ser professor? Que coragem!” Estudante de um colégio de classe média alta em São Paulo, Ana Sordi (foto a esq.), de 18 anos, foi a única estudante de seu ano a prestar vestibular para Pedagogia. E também ouviu: “Você vai ser pobre, não vai ter dinheiro”. Apesar das críticas, conselhos e reclamações, Ligia, Isaías e Ana não desistiram. No quinto ano de Letras na USP, Ligia hoje trabalha como professora substituta em uma escola pública de São Paulo. Formado em História pela Unesp e no quarto ano de Pedagogia, Isaías é professor na rede estadual na cidade de São Paulo. No segundo ano de Pedagogia na USP, Ana acompanha duas vezes por semana os alunos do segundo ano na Escola Viva.
Quando os três falam da profissão, é com entusiasmo. Pelo que indicam as estatísticas, Ligia, Isaías e Ana fazem parte de uma minoria. Historicamente pressionados por salários baixos, condições adversas de trabalho e sem um plano de carreira efetivo, cursos de Pedagogia e Licenciatura – como Português ou Matemática – são cada vez menos procurados por jovens recém-saídos do Ensino Médio. Em sete anos, nos cursos de formação em Educação Básica, o núsmero de matriculados caiu 58%, ao passar de 101.276 para 42.441.
Atrair novas gerações para a carreira de professor está se firmando como um dos maiores desafios a ser enfrentado pela Educação no Brasil. Não por acaso, a valorização do educador é uma das principais metas do novo Plano Nacional de Educação. Uma olhadela na história da educação mostra que não é de hoje que a figura do professor é institucionalmente desvalorizada. “Há textos de governadores de província do século XIX que já falavam que ia ser professor aquele que não sabia ser outra coisa”, explica Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, coordenadora da pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios. No entanto, entre as décadas de 1930 e 1950, a figura do professor passou a ter um valor social maior. Tal perspectiva, porém, modificou-se novamente a partir da expansão do sistema de ensino no Brasil, que deixou de atender apenas a elite e passou a buscar uma universalização da educação. Desordenada, a expansão acabou aligeirando a formação do professor, recrutando muitos docentes leigos e achatando brutalmente os salários da categoria como um todo.
Raio X
Encomendada pela Unesco, a pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios revelou que, em geral, o jovem que procura a carreira de professor hoje no Brasil é oriundo das classes mais baixas e fez sua formação na escolas públicas. Segundo dados do questionário socioeconômico do Enade de 2005, 68,4% dos estudantes de Pedagogia e de Licenciatura cursaram todo o Ensino Médio no setor público. “De um lado, você tem uma -implicação muito boa. São jovens que estão procurando ascensão social num projeto de vida e numa profissão que exige uma formação superior. Então, eles vêm com uma motivação muito grande.”
É o caso de Fernando Cardoso, de 26 anos. Professor auxiliar do quinto ano do Ensino Fundamental da Escola Viva, Fernando é a primeira pessoa de sua família a completar o Ensino Superior. Sua primeira graduação, em Educação Física, foi bastante comemorada pela família de Mogi-Guaçu, interior de São Paulo. O mesmo aconteceu quando ele resolveu cursar a segunda faculdade, de Pedagogia.
Entretanto, pondera Bernardete, grande parte desse contingente também chega ao Ensino Superior com certa “defasagem” em sua formação. A pesquisadora cita os exemplos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que revela resultados muito baixos, especialmente no que diz respeito ao domínio de Língua Portuguesa. “Então, estamos recebendo nas licenciaturas candidatos que podem ter dificuldades de linguagem e compreensão de leitura.”
Segundo Bernardete, esse é um efeito duradouro, uma vez que a universidade, de forma geral, não consegue suprir essas deficiências. Para Isaías Carvalho, esta é uma visão elitista. “Muitos professores capacitados ingressam nas escolas e estão mudando essa realidade. Esse discurso acaba jogando toda a culpa nos professores”, reclama.
Desde 2006, Isaías Carvalho trabalha como professor do Ensino Fundamental II e Ensino Médio em uma escola estadual em São Paulo. Oriundo de formação em escolas públicas, Isaías também é formado pelo Senai e chegou a trabalhar como técnico em refrigeração. Só conseguiu passar pelo “gargalo do vestibular” por causa do esforço de alguns professores da escola em que estudava na Vila Prudente, zona leste de São Paulo. Voluntariamente, os professores davam aulas de reforço pré-vestibular de graça para os alunos, nos fins de semana. “Os alunos se organizavam para comprar as apostilas”, lembra. Foi durante uma participação como assistente de um professor na escola de japonês em que estudava que Antônio Marcos Bueno, de 21 anos, resolveu tornar-se professor. “Um sentimento único me tocou”, exclama. Em busca do objetivo, saiu de Manaus, onde morava, e mudou-se para São Paulo. Depois de quase dois anos de cursinho pré-vestibular, Antônio Marcos está prestes a se mudar para a cidade de Assis, no interior do Estado, onde vai cursar Letras, com habilitação em japonês.
Entretanto, essa visão enraizada na cultura brasileira de que ser professor é uma missão ou vocação – e não uma profissão – acaba contribuindo para a desvalorização do profissional. “Socialmente, a representação do professor não é a de um profissional. É a de um cuidador, quase um sacerdote, que faz seu trabalho por amor. Claro que todo mundo tem de ter amor, mas é preciso aliar isso a uma competência específica para a função, ou seja, uma profissionalização”, resume Bernardete.
Contra a corrente
Ainda assim, o idealismo e a vontade de mudar o mundo ainda permanecem como fortes componentes na hora de optar pelo magistério. Anderson Mizael, de 32 anos, teve uma trajetória diferente da maioria dos seus colegas da PUC-SP. Criado na periferia de São Paulo, Anderson sempre estudou em escolas públicas. Adulto, trabalhou durante cinco anos como designer gráfico antes de resolver voltar a estudar. Bolsista do ProUni, que ajuda a financiar a mensalidade, Anderson é um dos poucos do curso de Letras que almejam a posição de professor de Literatura. “Eu tenho esse lado social da profissão. O ensino público está precisando de bons professores, de gente nova”, explica ele, que acaba de conseguir o primeiro estágio em sala de aula, em uma escola no Campo Limpo, zona sul da capital. Ana, que hoje trabalha em uma escola de elite, sonha em dar aula na rede pública. “São os que mais precisam.” “Eu sempre quis ser professora, desde criança”, arremata Ligia.
A empolgação é atenuada pela realidade da escola – com as já conhecidas salas lotadas, falta de material e muita burocracia. Ligia Reis reclama. “Cheguei, ganhei um apagador e só. Não existe nenhum roteiro, nenhum amparo”, conta. “Às vezes, você é um ótimo professor, tem várias ideias, mas a escola não ajuda em nada”, desabafa. Ligia também conta que, para grande parte de seus colegas de graduação, dar aula é a última opção. “A maioria quer ser tradutor ou trabalhar em editoras. É um quadro muito triste.”
Como constatou Ligia, de forma geral, jovens oriundos de classes mais favorecidas, teoricamente com uma formação mais sólida e maior bagagem cultural, acabam procurando outros mercados na hora de escolher uma profissão. “Eles procuram carreiras que oferecem perspectivas de progresso mais visíveis, mais palpáveis”, explica Bernardete. Um dos motivos que os jovens dizem ter para não escolher a profissão de professor é que eles não veem estímulo no magistério e os salários são muito baixos, em relação a outras carreiras possíveis. “Meu avô disse para eu prestar Farmácia, que estava na moda”, lembra Ana.
A busca pela valorização da carreira de professor passa também, mas não somente, por políticas de aumento salarial. Além de pagar mais, é preciso que o magistério tenha uma formação mais sólida e, principalmente, um plano de carreira efetivo. “Um plano em que o professor sinta que pode progredir salarialmente, a partir de alguns quesitos. Mas que ele, com essa dedicação, possa vir a ter uma recompensa salarial forte”, conclui a pesquisadora.
Anderson, Ligia, Ana, Isaías, Antônio e Fernando torcem para que essa perspectiva se torne realidade. “Eu acho que, felizmente, as pessoas estão começando a tomar consciência do papel do professor. É uma profissão que, no futuro, vai ser valorizada”, torce Anderson. “É uma profissão, pessoalmente, muito gratificante.” “Às vezes, eu chego à escola morta de cansaço, mas lá esqueço tudo. É muito gostoso”, conta Ana.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Marcha pela Educação

Educação: ato foi fraco, mas deixou escolas vazias (Foto: Everaldo Nascimento)

Por uma educação que queremos ver acontecer!

domingo, 1 de maio de 2011

Lei de Direitos Autorais


Para se tirar qualquer dúvida com relação à apropriação indevida de patrimônios intelectuais, existe uma lei que rege e protege os  artistas sob pena de reclusão, pessoas que tentem se apropriar indevidamente das idéias alheias ( e existem muitas pessoas assim).Desta forma fica claro que o Auto da Barca Amazônica tem seus autores registrados nos orgãos  de proteção competentes e para utilizar este projeto só é possível mediante a autorização prévia de seus criadores.Se apropriar desse patrimônio é crime, com penalidades previstas em lei, são plágios absurdos,já não basta que somos roubados todos os dias e ainda nos querem roubar o que ninguém poderia:nossas idéias.
Que a obra seja patrimônio intocável do artista que a criou.
Segue me abaixo trechos da lei e suas penalidades.


LEI Nº 10.695, DE 1º DE JULHO DE 2003.
Altera e acresce parágrafo ao art. 184 e dá nova redação ao art. 186 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, alterado pelas Leis nos 6.895, de 17 de dezembro de 1980, e 8.635, de 16 de março de 1993, revoga o art. 185 do Decreto-Lei nº 2.848, de 1940, e acrescenta dispositivos ao Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º O art. 184 e seus §§ 1º, 2º e 3º do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, passam a vigorar com a seguinte redação, acrescentando-se um § 4º:
"Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Dia do trabalhador

Congratulações à todos os trabalhadores do Brasil que como eu se sentem lesados todos os dias com a impunidade, o desrespeito,enfim se sentem lesados com tanta corrupção nesta nossa pátria mãe que não tem sido tão gentil.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carga horária de professores não é inconstitucional



O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou improcedente a
 Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a lei que determina
o piso nacional dos professores da rede pública em R$1.187,97,
 e fixa o limite de 2/3 da carga horária dos profissionais para
atividades com os alunos. Na sessão desta quarta-eira o plenário
analisou tão somente a constitucionalidade do dispositivo sobre a
jornada de trabalho. Como a votação ficou empatada em 5 a 5,
 a Corte não conferiu efeito vinculante à decisão.
O julgamento foi iniciado no último dia 6 de abril, quando por
maioria de votos, o Pleno reconheceu a constitucionalidade
do piso salarial. Contudo, na ocasião não houve quórum suficiente
para concluir o julgamento quanto à carga horária.
Nesta quarta-feira (27/4), o ministro Cezar Peluso, que não havia
comparecido à sessão anterior, votou pela inconstitucionalidade
da jornada de trabalho, e empatou o placar sobre a inconstitucionalidade
da Lei 11.738/2008 em cinco a cinco. Isso porque, o ministro Dias Toffoli declarou-se impedido de julgar a causa por ter atuado nela quando era advogado-geral da União.
Ao votar, o presidente do STF entendeu que jornada de trabalho é
matéria típica do regime jurídico dos servidores, que é de competência
legislativa dos Estados.
Diante do empate, os ministros decidiram julgar a ação improcedente,
 mas sem atribuir efeito vinculante quanto ao que decidido no tocante à
jornada de trabalho. A situação deixou indignado o ministro Joaquim Barbosa,
 que entende que a não vinculação da decisão pode ser interepretada como
um estímulo para que a lei não seja cumprida. A maioria dos ministros, no entanto, entendeu que a situação será resolvida no julgamento de outro
recurso sobre a mesma matéria no futuro, quando o plenário terá seu
quorum completo. 
A ação foi proposta pelos governos dos estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará, que alegavam
 falta de previsão orçamentária para a contratação de professores
conforme a mudança da jornada de trabalho prevista pela lei do piso.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.

Puccinelli perde no STF ação contra jornada 

de professores

Celso Bejarano







Após dois anos e meio de batalha judicial, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou na tarde desta quarta-feira a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4167, movida por cinco governadores, entre os quais André Puccinelli (PMDB), de Mato Grosso do Sul, contra a Lei 11.738, de 2008, que criou o piso salarial profissional nacional e que determina também que 33% da jornada do professor devam ser dedicadas às atividades fora da sala de aula.
Pela lei na composição do piso salarial do professor não entram os adicionais ou gratificações. Vale apenas o vencimento básico do professor por jornada de 

40 horas semanais de trabalho.
“Foi uma vitória não só para os professores e, sim,

 para educação de todo o Estado”, comemorou Jaime Teixeira, 
presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores na
 Educação de Mato Grosso do Sul).
Além de Puccinelli, os governadores do CE, RS, SC e PR, reagiram 

contra a Lei, ingressando com a ADI no final de 2008. À época, 
o STF deu ganho de causa parcial aos governadores. E a lei foi suspensa 
por meio de liminar. Agora, a partir da publicação do acórdão, a medida
 deve ser aplicada logo.
Com a decisão do STF, um professor que cumpre jornada de 40 horas 

semanais, por exemplo, terá seu expediente dentro da sala de aula 
reduzido para 26.5 horas. O restante, 13.5 horas, o profissional da educação
 deve investir em formação continuada, planejamento, correção 
de provas e trabalhos, entre outras atividades.
Em 2008, assim que ingressou com a ADI, Puccinelli deu uma opinião 

sobre o tempo de planejamento de aula fora das salas, note:
 “Eu fui cirurgião de trauma. Aí um doido te atropela, foge, você está
 sangrando e entra em choque. Eu vou planejar 13 horas como fazer a cirurgia?”,
 questionou.
 “Não tem necessidade de aumentar horas de planejamento e 
diminuir o essencial, que é ensinar o aluno. O que precisa é dar aula
 para a gurizada”, acrescentou. Puccinelli disse que o tempo maior para
 o planejamento vai exigir a contratação de ao menos 2.800 professores.

Alessandra de Souza

O presidente da Fetems disse ainda que a decisão deva mexer nos

 salários dos professores. “A lei não era cumprida desde 2008, por 
força de liminar, agora com o desfecho judicial, temos de fazer
 uns cálculos, afinal o piso salarial era composto também por 
gratificações e adicionais e isso não pode mais acontecer”, disse Teixeira.